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quarta-feira, 13 de abril de 2011

FOTÓGRAFOS DO MUNDO...

Jorge Molder

foi o escolhido pelo júri da 10ª edição do Grande Prémio EDP/Arte.
Jorge Molder destaca-se na área da fotografia e o seu trabalho pode ser encontrado em quase todas as mais importantes colecções portuguesas.







Criado em 2000, este prémio é uma iniciativa trienal da Fundação EDP e distingue artistas plásticos portugueses, com carreira historicamente relevante, desenvolvida em Portugal ou no estrangeiro, e cujo trabalho tenha contribuído para afirmar as tendências estéticas contemporâneas.
Lourdes Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004) e Eduardo Batarda (2007) foram alguns dos artistas já distinguidos por este prémio.


Fotógrafo português, Jorge Molder nasceu em 1947, em Lisboa. Estudou Filosofia na Universidade de Lisboa e começou a sua carreira como artista na década de 1970.
No seu trabalho, o artista que usa a fotografia como sua forma expressiva, é sobre a duplicidade.
Esta duplicidade parte de um outro, personagem que o artista constrói a partir da utilização do seu próprio corpo em auto-retratos - que deixam de o ser porque a figura que neles surge, não resulta de nenhuma busca de autenticidade no interior do seu autor, mas, pelo contrário, é uma figura ficcional.
Por último, e para estabelecer um primeiro quadro sobre a obra de Molder, resta acrescentar que a escala das suas imagens é de rigorosa importância.
Esclareça-se que escala não é igual a dimensão.
A escala é uma relacção e obedece a opções muito precisas por parte do artista, que tem utilizado dimensões diversas para as suas imagens, desde o tamanho íntimo e precioso da Polaroid, até à grande dimensão de algumas series recentes.
A ampliação de fotografias para uma dimensão de cerca de 1 metro quadrado, ou mesmo mais (em duas series recentes usou 1,20mx1,20m), faz com que a imagem fotográfica não se deixe cativar da pura opticalidade, mas, peo contráriom defina um campo de relação corporal com o observador, embora na utilização do pequeno formato (nos zincos e nas polaroids, que o artista nunca amplia) essa opticalidade seja utilizada como dispositivo de referência espacial, fazendo-nos aproximar de imagens que por vezes são quase miniaturas.
As suas imagens são, portanto, imagens corporalizadas, (porque apelam para a nossa auto-consciência corporal) inscrevendo-se, nesse sentido, na tradição nascente a partir dos anos sessenta, de desprendimento da fotografia em relação aos seus parâmetros ópticos e reprodutivos de presença.

"Aristóteles conta a história de um viajante que ao cavalgar através de uma neblina muito espessa, numa das suas muitas noites sem dormir, viu também cavalgar, a seu lado, a sua própria imagem. Mimava-lhe todos os movimentos e quando o viajante atravessou o rio, a imagem fez o mesmo. Assim que a neblina se dissipou, o fantasma desapareceu também."

É o mesmo problema de reconhecimento identitário, colocado em derradeiro confronto, que encontramos estampado, em déjà vu, no rosto aristotélico ..., de Jorge Molder. "


créditos
http://www.iac-azores.org
Lígia Afonso

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