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terça-feira, 19 de abril de 2011

ARTES & GENTES

A máscara Chokwe

Máscara do Inicio do século XX


Pwo,
cujo nome significa  
“mulher”
ou
Mwana Pwo  
“jovem mulher“














Esta máscara representa o ideal da beleza feminina inspirada num antepassado.


Este género de máscara também simboliza o papel primordial da mulher na tribo Chokwe, mas principalmente um elo com os espíritos dos antepassados. 
A sua face é esculpida com olhos encovados e face angular.
A máscara é dançada por homens no final do rito de iniciação - Mukanda -  cerimónia de circuncisão.
Os Chokwe acreditam que as escarificações faciais da máscara aumentam a fertilidade dos espectadores.

MUKANDA

A lenda originária do nordeste de Angola, contada pelo Soba Kaúka, da aldeia de Nakalumbo de como a primeira circuncisão de um Tchokwé passou a ser um ritual obrigatório entre os homens desse povo.

...andava certo dia Safuanandenda Lunga, filho mais velho do Soba Variekelenwene, pescando no rio quando, ao passar descuidadamente e nu, junto a um capim grosso (Mwenkenene) a folha desse capim o circuncidou.
O jovem, envergonhado e temeroso, em vez de voltar para o mussôco (Kimbo, aldeia), escondeu-se numas biçapas que se aglomeravam no caminho para o rio.
O tempo foi passando, os dias viram semanas, sem que o rapaz se decidisse a voltar para junto da família; e durante esse tempo, sobrevivia alimentando-se do que pescava e caçava na sua solidão.
Fez ele próprio arco, flechas e lança, improvisou anzóis e armadilhas, observou os bichos comendo frutas e tubérculo silvestres, dos quais também se serviu para se nutrir, quando falhava a caça e a pesca.
Passou-se muito tempo, e já a ferida estava cicatrizada, quando Safuanandenda, saturado do seu exílio voluntário, se decidiu a voltar ao convívio do Mussôco.
Ainda envergonhado, para que não o reconhecessem, talhou numa cabaça o formato de uma máscara, colocou-a na cabeça e entrou na aldeia.
O espanto que causou foi enorme, tinha deixado de ser um rapazinho de quem todos se lembravam; era agora um homem auto-suficiente e experiente, a quem todos passaram a respeitar. Com a sua máscara infundia respeito entre os homens. Quanto às mulheres, dada a sua originalidade anatómica, todas passaram a assediá-lo.
As provações e auto aprendizado por que passara, além de lhe desenvolver o corpo, deram-lhe um autodomínio que magnetizava a todos que com ele conviviam.
Apesar da pouca idade passou a ter lugar de destaque entre os homens, e nada se decidia, sem que ele fosse consultado, e a sua opinião escutada.
Os homens o respeitavam, as mulheres o desejavam, e todos o admiravam; admiravam a sua astúcia, a sua calma, o seu bom senso e a sua agilidade.
O fenómeno tomou proporções que levou o conselho dos velhos a reunir-se, e a chegar à conclusão que a Mukanda só podia ser benéfica a púberes da tribo, deveriam a partir dessa data, submeter-se às mesmas coisas, e na mesma sequência em que haviam acontecido com Safuanandenda.
Chamaram o Sobeta, e o convidaram para mestre de cerimónia e operador, orientando a par e passo todos os actos dos jovens púberes.
E assim teve início o ritual da Mukanda Kandongo.


Jovens depois da cerimónia da Mukanda







Créditos
PROF. KIBER SITHERC
 ezakwantu


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